sexta-feira, setembro 22, 2006

Paz em cenário de Guerra

SACRO TEMPLO DE NOSSA SENHORA DA VICTORIA
EDIFICADO NO ANO DE 1556
DESTRUIDO PELO TERREMOTO DE 1755
REEDIFICADO NOS ANOS DE 1765/1824
RESTAURADO NO ANO DE 1940


Foi estranho, entrar ali. Fazia já tempo que o não experimentava. E estava como queria. Sem relógio. Sem pressa. Sem nada. Apenas com a vontade de estar ali.
A Igreja é violenta. Do lado direito parecem tiros num nicho onde a Senhora de Fátima convida a rezar. As paredes estão a cair. Autêntico cenário de guerra. E nas pessoas que ali estão - de joelhos, sentadas ou de pé - há paz. Sente-se essa paz.
Detenho-me a olhar para a figura do Sagrado Coração de Jesus, que ganhou novo significado para mim, depois das Missões nas Astúrias. Mostra-me a mão furada do prego cravado e aponta com a outra o seu sagrado coração. E segreda-me que é assim mesmo. Que custa muito. E enquanto a lágrima se escapa e não escapa, continua a dizer-me que sim. Que esse é o caminho. Que o coração só chega a sagrado quando o resto do corpo sofre. Que é um caminho duro. Mas que é o caminho certo.
E era o mesmo Jesus de sempre. Igualzinho àquele que está ao lado, na custódia. Aquele que é o centro de tudo ali. Aquele para quem todos se voltam. E é aquele que, apesar de me dizer estas coisas, me sorri, porque sabe que sou pequeno. E que falho. Sabe que as lágrimas me caem porque nem sempre escolho o caminho certo. E ele sorri-me porque me ama.
Tempo de voltar à vida. Ao mundo agitado que grita lá fora. De volta ao duro caminho...
E aquele cenário de guerra continua em paz. E não é por acaso. A paz em pessoa habita ali. E no topo, bem lá no alto, por onde só a Luz pode entrar, a mensagem é clara: "Amai-vos uns aos outros!"