segunda-feira, setembro 13, 2010

"Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada"

"Quando acabou de dizer todas as suas palavras ao povo, Jesus entrou em Cafarnaúm. Ora um centurião tinha um servo a quem dedicava muita afeição e que estava doente, quase a morrer. Ouvindo falar de Jesus, enviou-lhe alguns judeus de relevo para lhe pedir que viesse salvar-lhe o servo. Chegados junto de Jesus, suplicaram-lhe insistentemente: «Ele merece que lhe faças isso, pois ama o nosso povo e foi ele quem nos construiu a sinagoga.» Jesus acompanhou-os. Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faz isto', e ele faz.» Ouvindo estas palavras, Jesus sentiu admiração por ele e disse à multidão que o seguia: «Digo-vos: nem em Israel encontrei tão grande fé.» E, de regresso a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde. "
Lucas 7,1-10


Querido Pai,

Foi nos tempos de Madrid que me quiseste fazer prestar verdadeira atenção a esta frase tantos e tantos Domingos repetida. Uma entre muitas tantos Domingos repetidas. Lembro-me do padre José Manuel, do seu olhar de avô, e da forma como explicava o que se passava nesta passagem.

"Senhor, eu não sou digno que de entres na minha casa".

Acho que me esqueço disto. Não aos Domingos, mas nos outros dias. Acho que muitas vezes me esqueço disto. Que te tomo por certo. Sei que estarás sempre aí. Sinto-o. E sei-o, com toda a certeza do meu coração. E isso faz com que me encoste. Com que me relaxe. E com que te não dê nem metade da atenção que me deverias merecer.

E depois tu estás aqui. Mas não estás em mim. Estás comigo. Mas não estás no meu coração. Estás à porta. Mas eu não te deixo entrar. E ficamos assim os dois. Eu à espera que tu entres, miraculosamente. Tu à espera que eu te abra a porta para que possas entrar. E nenhum dos dois tem pressa. Eu porque tenho medo do que tu me exiges, e tu porque respeitas o meu medo e a minha indecisão. E bates à porta todos os dias, na esperança de que algum dia eu te abra. E eu todos os dias vou até à janela para estar contigo, porque efectivamente gosto de estar contigo. Mas não abro a porta.

"Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa".

Às vezes acho que não te levo a sério, Senhor. Muitas vezes acho que o não faço. E que digo que não sou digno não pela minha grande humildade - que o não é - mas pelo meu medo do que acontecerá se algum dia te deixo entrar. Entrar assim à séria. E te deixasse viver em mim.

Dá-me força, Senhor. E dá-me fé. Porque custa alçar e empunhar esta espada com que me armaste para fazer novo este Mundo.

Teu,
Cavaleiro Santo de Maria