Amai-vos, porque Deus é amor!
"E é por isto que eu rezo: para que o vosso amor aumente ainda mais e mais em sabedoria e toda a espécie de discernimento, para vos poderdes decidir pelo que mais convém, e assim sejais puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo."
São Paulo, Fl 1, 9-10
Escrevi um dia que "a minha estrela é a minha estrela e nunca vai deixar de o ser. O céu é a sua casa - mas mesmo nos dias em que o céu se assemelha a uma massa viscosa ela brilha mais forte que as demais. Porque ela é a minha estrela. E está sempre lá no céu a olhar por mim." Hoje queria contar-vos um episódio. De uma dessas vezes em que estive com ela. Eu, o mesmo de sempre. Torpe, tonto, e desastrado. Ela, a mesma de sempre. Luminosa, brilhante e cheia de amor.
Passaram-se dias e meses depois da minha partida e depois do meu regresso. E porque a Terra anda às voltas para que nenhum dia seja igual a outro, muita coisa mudou desde então. Decidi entregar-me a ela e ela entregou-se ainda mais a mim. Durante o dia, fazia-lhe companhia no céu, onde o sol se impunha e ela por vezes se aborrecia. E durante a noite, fazia-me companhia no quarto, onde noite tudo escurece e por vezes o sono se vai. E assim estávamos felizes, pois os dias eram nossos e nós éramos um do outro.
Até que um dia -que nem por sombras foi hoje- trouxe-a para o meu quarto. Tinha muita vontade de que me falasse das suas histórias lá no céu. Mas nada correu como previa. Vinha a subir as escadas a correr, quase como quem sobe, tropecei no último degrau e... não consegui evitar tocar-lhe, apoiada que estava sobre a minha secretária. Caíu ao chão. Resultado: muitas lágrimas, um coração ferido e eu sem saber o que fazer. Como de costume.
Fui buscar os primeiros-socorros-das-estrelas, para tentar sarar uma ferida que não queria sarar. Uma ferida tão grande que ia do coração da minha estrela ao meu. Nunca tinha visto nada assim. E oxalá não volte nunca a ver. Se lhe doía a ela, mais me doía a mim também. E não é bom quando nos doi o coração e nos sai a dor pelo brilho que não existe nos olhos.
A verdade é que não pude dormir até estar minimamente tratada, a situação. Mas não é uma cura fácil. Requer amor e carinho diário, dizia o livro que acompanhava os primeiros-socorros-das-estrelas. E, se possivel, um texto postado num blog para animar o dia e fazer crescer no amor.
Não sei se resulta. É um tratamento novo, segundo apurei, este que vem nos primeiros-socorros-das-estrelas. Mas... gosto muito da minha estrela. Isso eu sei! Disso tenho a certeza! E não quero mais que sofra como hoje a vi sofrer. Não quero!
Não quero, não quero, não quero, não quero. Mesmo...
Doi muito, e sou fraco demais para a ver sofrer. Por isso aqui estou, seguindo à risca as indicações terapêuticas recomendadas. Mas se sabem de algo mais que possa fazer, oxalá me possam ajudar.
Não sei se já alguma vez tiveram uma estrela. Se não tiveram, não há palavras que vos possa dizer para que entendam o que é ter uma perto de vocês. E mesmo se já tiveram alguma, na certeza de que não era a minha, continuam a não haver palavras para vos dizer como é. Mas é algo incrível. Enche-nos. Alegra-nos. Faz-nos brilhar os olhos. Acende e inflama o nosso coração. Preenche-nos. Completa-nos.
Espero que compreendam o aflito que estou. Preciso de ajuda e o antes possível. Não posso deixar tamanha preciosidade -a princesa do meu quarto- neste estado, com esta ferida. Quero curá-la. E desde já.
Obrigado pela vossa ajuda, tempo e compreensão!