Confiança
"Se olharmos as nossas próprias forças
esvai-se toda a esperança e confiança;
a ti, Mãe, estendemos as mãos
e imploramos abundantes dons de amor."
Padre José Kentenich, "Rumo ao Céu", estrófe 13
Dia 6 - Um dom de puro amor
Querida Mãe,
hoje levaste-me ao colo até ti. Quando o não esperava, com quem não o previa. E pegaste-me assim ao colo e sentaste-me nas tuas pernas para me falar. E cantar. Porque gostas de me ouvir cantar - mesmo que ainda não tenha entendido bem porquê.
E agradeci-te. O dom de amor - esse dom de puro amor - que me entregaste e confiaste. Esse coração lindo que é meu e ao qual pertenço. Esses olhos brilhantes que me chamam príncipe e fazem os meus olhos brilhar. Não podia mais que agradecer-te.
E à tarde, os olhos brilhantes dos teus cruzados. Irrequietos - sempre. Despistados - quase sempre. E sempre fica aquela dúvida de se lhes tocaste o coração com as nossas palavras. E, com ela, a confiança de que sim, o fizeste, se essa era a vontade do Pai.
E pela noite mimaste-me. Levaste-me à cama e embalaste-me com todo o teu carinho, com toda a tua ternura. Contaste-me histórias numa partilha do teu coração. E vi o teu filho abraçar-se a mim, Mãe. E convidou-me à difícil tarefa de ser como Ele...
Sim, foi um dia feliz. Foi um dia de olhos brilhantes, coração aberto, pronto e disposto a dar-te graças por cada segundo que vivia. E a agradecer-te a cada momento pelo muito que és para mim.
Dia 7 - Onde está o amor?
Querida Mãe,
os servos queriam vinho. Tu pediste-o ao teu filho. E, voltando aos servos, disseste-lhes "Fazei tudo o que ele disser". E eles tiveram o vinho que pediram. Mais e melhor do que o que pediram até.
Hoje pediste-me que amasse. Concerteza para me levares a encontrar o amor. Mas... acho que não fui bem sucedido.
Os olhos não brilharam, o coração secou e não queria amar. Não queria ser coração, e só fugia do peito para se esconder ao pé dos pés, onde ninguém o visse nem desse por ele.
Era um desafio difícil, com algo que me toca no que de mais frágil levo em mim. Sim, Mãe, eu amo. Mas "a palavra amar é tantas vezes maltratada"...
E custa quando as coisas são assim, quando não nos compreendem e nós não nos esforçamos nem para compreender nem para que nos compreendam. Custa quando são mais as palavras guardadas que aquelas que são ditas. Custa quando o amor fica dentro, para sairem pela boca as palavras duras e amargas, aquelas que cheiram mal e já deviam ter passado o prazo de validade. Custa muito...
Mas ninguém disse que seria fácil. Não o foi para ti. Não o foi para o teu filho, feito homem. Não foi para o meu irmão mais velho. Não o foi para tantos que vieram antes e depois de vocês. E nenhum de vós virou as costas à que era a vontade do Pai...
Eu virei, Mãe. Eu não fui capaz de pôr fim ao meu sofrimento e amar.
Desculpa-me, Mãe. Não fui cavaleiro e não fui santo. Não fui pequeno. E, sinceramente, hoje não tive luz nem para iluminar os olhos, quanto mais para ser farol do mundo.
Desculpa-me por todos quantos me confiaste e também não soube amar.
E obrigado por me quereres mostrar o caminho.
Dia 8 - O dia da Aliança
Querida Mãe,
em dois dias fui capaz do melhor e do pior. Em dois dias o meu coração apagou-se e os olhos deixaram de brilhar.
Chego a uma bifurcação no meu caminho. Duas opções. O caminho fácil, de alcatrão, e o caminho difícil, em empedrado. O caminho claro, onde bate o sol, e o caminho difícil, onde a escuridão é rainha. O caminho doce, onde dá gosto caminhar, e o caminho amargo, onde até pensar em andar pode fazer doer os pés. Tenho duas opções. Posso apenas escolher uma.
"En tu poder y en tu bondad fundo mi vida. En ellos espero confiando como un niño. Madre admirable, en ti y en tu hijo, en toda circunstacia, creo y confío ciegamente. Amén."
Escolho-te a ti. Escolho entregar-me. Escolho confiar.
Sim, abrirei o coração, como há 22 meses disse que faria. Sim, abrirei a minha alma, como há 22 meses tanto ambicionava fazer. Sim, abirei o meu ser à tua vontade, como há tantos anos já abriste tu o teu à vontade do Pai.
"Eu quero amar. Eu quero ser aquilo que Deus quer. Sozinho eu não posso mais..." E é por isso que me entrego em tuas mãos, na certeza de que me cuidarás enquanto me guias até ao Pai.
E então será mais fácil, porque tudo é mais fácil para os que caminham contigo...
Sim, Mãe, dá-me a espada... Que para Ti abrirei o Mundo!
esvai-se toda a esperança e confiança;
a ti, Mãe, estendemos as mãos
e imploramos abundantes dons de amor."
Padre José Kentenich, "Rumo ao Céu", estrófe 13
Dia 6 - Um dom de puro amor
Querida Mãe,
hoje levaste-me ao colo até ti. Quando o não esperava, com quem não o previa. E pegaste-me assim ao colo e sentaste-me nas tuas pernas para me falar. E cantar. Porque gostas de me ouvir cantar - mesmo que ainda não tenha entendido bem porquê.
E agradeci-te. O dom de amor - esse dom de puro amor - que me entregaste e confiaste. Esse coração lindo que é meu e ao qual pertenço. Esses olhos brilhantes que me chamam príncipe e fazem os meus olhos brilhar. Não podia mais que agradecer-te.
E à tarde, os olhos brilhantes dos teus cruzados. Irrequietos - sempre. Despistados - quase sempre. E sempre fica aquela dúvida de se lhes tocaste o coração com as nossas palavras. E, com ela, a confiança de que sim, o fizeste, se essa era a vontade do Pai.
E pela noite mimaste-me. Levaste-me à cama e embalaste-me com todo o teu carinho, com toda a tua ternura. Contaste-me histórias numa partilha do teu coração. E vi o teu filho abraçar-se a mim, Mãe. E convidou-me à difícil tarefa de ser como Ele...
Sim, foi um dia feliz. Foi um dia de olhos brilhantes, coração aberto, pronto e disposto a dar-te graças por cada segundo que vivia. E a agradecer-te a cada momento pelo muito que és para mim.
Dia 7 - Onde está o amor?
Querida Mãe,
os servos queriam vinho. Tu pediste-o ao teu filho. E, voltando aos servos, disseste-lhes "Fazei tudo o que ele disser". E eles tiveram o vinho que pediram. Mais e melhor do que o que pediram até.
Hoje pediste-me que amasse. Concerteza para me levares a encontrar o amor. Mas... acho que não fui bem sucedido.
Os olhos não brilharam, o coração secou e não queria amar. Não queria ser coração, e só fugia do peito para se esconder ao pé dos pés, onde ninguém o visse nem desse por ele.
Era um desafio difícil, com algo que me toca no que de mais frágil levo em mim. Sim, Mãe, eu amo. Mas "a palavra amar é tantas vezes maltratada"...
E custa quando as coisas são assim, quando não nos compreendem e nós não nos esforçamos nem para compreender nem para que nos compreendam. Custa quando são mais as palavras guardadas que aquelas que são ditas. Custa quando o amor fica dentro, para sairem pela boca as palavras duras e amargas, aquelas que cheiram mal e já deviam ter passado o prazo de validade. Custa muito...
Mas ninguém disse que seria fácil. Não o foi para ti. Não o foi para o teu filho, feito homem. Não foi para o meu irmão mais velho. Não o foi para tantos que vieram antes e depois de vocês. E nenhum de vós virou as costas à que era a vontade do Pai...
Eu virei, Mãe. Eu não fui capaz de pôr fim ao meu sofrimento e amar.
Desculpa-me, Mãe. Não fui cavaleiro e não fui santo. Não fui pequeno. E, sinceramente, hoje não tive luz nem para iluminar os olhos, quanto mais para ser farol do mundo.
Desculpa-me por todos quantos me confiaste e também não soube amar.
E obrigado por me quereres mostrar o caminho.
Dia 8 - O dia da Aliança
Querida Mãe,
em dois dias fui capaz do melhor e do pior. Em dois dias o meu coração apagou-se e os olhos deixaram de brilhar.
Chego a uma bifurcação no meu caminho. Duas opções. O caminho fácil, de alcatrão, e o caminho difícil, em empedrado. O caminho claro, onde bate o sol, e o caminho difícil, onde a escuridão é rainha. O caminho doce, onde dá gosto caminhar, e o caminho amargo, onde até pensar em andar pode fazer doer os pés. Tenho duas opções. Posso apenas escolher uma.
"En tu poder y en tu bondad fundo mi vida. En ellos espero confiando como un niño. Madre admirable, en ti y en tu hijo, en toda circunstacia, creo y confío ciegamente. Amén."
Escolho-te a ti. Escolho entregar-me. Escolho confiar.
Sim, abrirei o coração, como há 22 meses disse que faria. Sim, abrirei a minha alma, como há 22 meses tanto ambicionava fazer. Sim, abirei o meu ser à tua vontade, como há tantos anos já abriste tu o teu à vontade do Pai.
"Eu quero amar. Eu quero ser aquilo que Deus quer. Sozinho eu não posso mais..." E é por isso que me entrego em tuas mãos, na certeza de que me cuidarás enquanto me guias até ao Pai.
E então será mais fácil, porque tudo é mais fácil para os que caminham contigo...
Sim, Mãe, dá-me a espada... Que para Ti abrirei o Mundo!