sexta-feira, dezembro 08, 2006

Consagração de Militante

Querida Mãe,

dois anos depois, aqui me tens novamente a teus pés. Já não sou o rapaz tonto que não sabia bem no que se estava a meter. Passaram dois anos, querida Mãe, o suficiente para entender o muito que quero dar - o muito que mereces que te dê. Dar até não poder mais. E ainda assim seguir dando, mesmo depois de não poder.

Não sei o que faço aqui. Isso sim, é igual. Não sei porque aqui me trouxeste, porque me escolheste. Sou eu, Mãe! Aquele que falha. Aquele que cai. Aquele que sempre se queixa do seu Ramo, esse Ramo pelo qual hoje queres que me entregue.

Será esse o motivo? Será isso que pretendes?

Falamos de compromisso, querida Mãe, e bem o sei. Queres claramente que me comprometa novamente contigo, que recorde os compromissos que já selei. E que os recorde sempre. Todos os dias. Todos os momentos.

Mas queres que cresça também, bem o sei. Queres que cresça e aprofunde a minha fé através da confissão, da direcção espiritual. No fundo, queres que cresça e aprofunde naquilo em que ainda não fui capaz de crescer e aprofundar, no dar de mim, o que cá vai dentro, os meus podres.

Querida Mãe, é uma batalha enorme aquela para que, como Rainha, me destacas. Querida Mãe, é uma batalha em que não sei se vou vencer. Mas vou. Na certeza de que não sacrificarias o teu cavaleiro em vão e de que morrerei na frente, sorrindo, se for essa a tua vontade.

Este não é o meu Ramo. Este não é o que eu escolheria. Mas é aquele que TU escolheste para mim. E se sublinho o TU, não é para te culpabilizar, mas para fazer entender a minha cabeça tonta de que és tu - e tu mesma, que estás tão perto do Pai - que sabes o que é melhor para mim.

(...)

Querida Mãe, aqui me tens, uma vez mais. A ti me entrego, pelo Ramo que é teu e que queres para mim.

Que o que hoje te entrego seja selado no meu coração e que possa sempre sentir que vives em mim e que sou teu. Como pequeno filho. Como cavaleiro, projecto de santo. Como farol no Mundo. Como teu instrumento, fiel servo às tuas mãos.

ADSUM!

"Na minha pequenez, cavaleiro santo de Maria, grande farol do Mundo."
"Dá-me a espada, que para Ti abrirei o Mundo!"

Luis Oliveira

Caderno Pessoal - 8 de Dezembro de 2006

De 7 para 8...

Querida Mãe,

dois anos. Dois anos...

Dois anos já de Aliança. Dois anos já de compromisso. Dois anos de vida contigo. E vida intensa. Dois anos de caminho, onde tantas vezes te não quis ouvir. Dois anos de percurso, onde tantas vezes fui feliz por te ouvir e ao que me dizias.

Dois anos como aliado. Como teu aliado. Como teu cavaleiro. Como teu pequeno farol, instrumento nas tuas mãos para fazer chegar ao teu filho aqueles que designa o nosso pai.

Dois anos em que me deste tudo. Aproximaste-me do Pai. Explicaste-me o mistério do Filho. Ajudaste-me a entender o Espírito em mim.

Deste-me uma luz no meu caminho. Uma comunidade. A consciência dos meus dons. Um lema para a vida. A certeza do meu ideal pessoal. A conquista das minhas conquistas. Tudo isso a ti o devo. Porque o que consigo, consigo-o porque tu queres e o Pai o permite.

Se me exigiste? Bastante. Uma ida para Madrid. Uma ida a Taizé. A vontade de me entregar, como a um cheque em branco. A minha transparência. A minha sinceridade. Muitas vezes, o meu sono. A minha entrega, nas batalhas de todos os dias.

Dois anos de fidelidades. Foste fiel sempre. Em cada segundo. Fiel e fidelíssima. Cuidando sempre. Nas alegrias como nas quedas. Nos tropeços como nos regozijos. Foste fiel até na minha infidelidade.

Estiveste ao meu lado sempre.

Dois anos levando-me nos teus braços, quando a coisa não estava fácil. Dois anos de mão dada comigo, para que aprendesse a andar. Porque até as quedas e as pedras nos fazem levantar.

Caderno Pessoal - 7 para 8 de Dezembro de 2006